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ELITES GLOBAIS MENTEM SOBRE INCÊNDIOS NA AMAZÔNIA

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amazon_fires_810_500_75_s_c1Os incêndios ocorridos na floresta amazônica brasileira não poderiam ter sido mais bem cronometrados: deram-se, oportunamente, durante a cúpula do G7 dos países desenvolvidos em Biarritz, na França, com suas soluções internacionalistas e antisoberanas. Por outro lado, o estrondo midiático espalhando cenas de desolação ocorre a menos de dois meses antes do Sínodo da Amazônia, solicitado pelo Papa Francisco. Já estamos cientes de que em Roma, em outubro, participantes do sínodo manifestarão seu fascínio pelo modo de vida indígena, com tribalismo, socialismo e ritos religiosos “tradicionais”, ao mesmo tempo em que pedirão proteção internacional para a Amazônia.

Seria este um caso de controle mental?

Os superlativos assustadores empregados nos noticiários ou em contas de celebridades no Twitter e no Instagram não poderiam ter passado despercebidos pelos leitores. Até (ou “especialmente”?) o presidente francês Emmanuel Macron, candidato a Super-homem defensor do planeta, fez várias previsões catastróficas. O “pulmão do mundo” está queimando, proclamou, acrescentando que as florestas tropicais da Amazônia representam “20%” do oxigênio da Terra.

A se acreditar nesta conversa toda, como consequência dos incêndios na Amazônia, a Terra estaria sendo sufocada, e a desolação de um campo de ruínas nos aguarda. As pessoas mais ansiosas já devem estar sentindo falta de ar…

Presidente BolsonaroO grande culpado é de direita: Jair Bolsonaro [foto], o novo presidente brasileiro, que a comunidade internacional não hesita em culpar por uma situação com consequências supostamente globais. Ele – líder cristão de direita – é o vilão. Não foi ele que relaxou as regras ambientais e promoveu o desmatamento que está queimando a floresta nativa em benefício de grandes empresas? Não foi ele que incentivou agricultores sem escrúpulos a destruir a preciosa fauna e vegetação tropical a fim de plantar palmeiras e soja para exportação, num momento em que o Brasil vai se transformando em um dos principais produtores agrícolas mundiais?

Temos aqui uma evidente exploração dialética dos fatos: uma versão totalmente nova da luta de classes, em que grandes proprietários ansiosos por lucro atacam os oprimidos – a oprimida de plantão sendo precisamente a floresta amazônica, promovida agora à patente de Mãe Terra nutridora.

A ela se referem como “nossa casa”, para melhor envolver todos e cada um. Esta manipulação destina-se a “eliminar” os desdenhosamente referidos como populistas de direita: Bolsonaro, já nomeado, mas também o cético climático Donald Trump e alguns outros.

Esta mangueira de incêndio ideológica é super-seletiva. Podemos nos perguntar por que não existe um grande movimento para denunciar os líderes políticos da África Subsaariana, onde incêndios sazonais estão causando tantos danos tão graves, se não mais ainda, do que os do Brasil. Como observou a RTBF.be (rádio e televisão belga), Angola, Zâmbia, Tanzânia e Congo são fortemente afetados pelos incêndios, mas nem mesmo a imprensa africana local os denuncia. Não o fazem “simplesmente porque é um fenômeno comum e regular” ainda que sempre “preocupante”, comentou a RTBF, explicando tratar-se do fenômeno da agricultura de corte e queima, praticada por agricultores locais que fertilizam o solo queimando voluntariamente madeira cortada, responsável por muitos incêndios na África subsaariana.

De acordo com o mesmo artigo, datado de 24 de agosto, a Agência Espacial Europeia (ESA) “estima que a África Subsaariana represente cerca de 70% da área queimada do mundo, segundo dados globais de satélite”.

Wildfires BatagaiE quem está pensando em culpar Vladimir Putin, que recebeu cordialmente as boas-vindas de Emmanuel Macron antes e durante a reunião do G7, ao mesmo tempo em que a tundra siberiana era devastada por grandes incêndios no início de agosto?

Um olhar um pouco mais a oeste do Brasil, em direção à Bolívia, que inclui grande parte da floresta amazônica, basta para entender melhor como funciona o mecanismo de desinformação. Lá o volume de incêndios é significativamente maior que no ano passado – 800.000 hectares da “Floresta Modelo” de Chiquitano foram consumidos pelas chamas entre os dias 18 e 23 de agosto. Mas a mídia internacional não culpa o presidente Evo Morales. Este presidente, de esquerda indígena, socialista e ambientalista, é um bom sujeito. O que querem que ele faça?

Siberian wildfires 2019

Foi Evo Morales, no entanto, que incentivou os agricultores locais, geralmente indígenas eleitores seus, a queimarem madeira na floresta tropical para produzir carvão vegetal para revenda, ou para conservar terras aráveis. Foi ele também que recusou assistência internacional para combater os incêndios florestais. Ao que parece, a situação na Bolívia era geralmente muito mais grave do que no vizinho Brasil. Mas ninguém ameaçou de cortar relações comerciais com a Bolívia, enquanto o presidente francês invocava os incêndios no Brasil para pôr fim às negociações com o Mercosul.

Quem, na mídia internacional, promoveu a ‘malhação’ de Evo Morales? Ou pediu a interrupção de toda ajuda internacional (sugerida pelo senador democrata dos EUA, Brian Schatz, com relação ao Brasil) até que ocorra uma mudança de política?

Nada disso. Os “populistas” (assim apelidados pela mídia) e soberanistas são o verdadeiro alvo. Curiosamente, o tema dos incêndios florestais globais está ganhando manchetes este ano muito embora (se todos os fatores políticos fossem idênticos), devessem vir à ribalta midiática todos os anos.

MacronDizem-nos que os incêndios deste ano são excepcionais. Nem tanto: em seus tuítes apocalípticos, Macron [foto] incluiu foto que remonta há quase vinte anos, tirada por Loren McIntyre, que morreu em 2003. Outros clichês “compartilhados” por celebridades vêm do Peru, onde a frente de incêndio está calma no momento. Madonna, de acordo com a Agencia France-Presse, publicou imagem de uma floresta em chamas que remonta a… 1989.

A mesma AFP desmascarou várias outras fotos que foram compartilhadas milhares de vezes para chamar a atenção para os incêndios na Amazônia: catástrofes de outros tempos e lugares foram usadas ​​para alimentar o grande medo.

A verdade é que os incêndios são em parte um fenômeno natural (na estação seca, são desencadeados por tempestades elétricas) e em parte ateados deliberadamente para recuperar terra para plantio ou fertilização; e em parte, são criminosos.

A mídia custou a relatar, por exemplo, que o incêndio na Amazônia esteve dentro da média dos últimos vinte anos. Houve picos nos estados do Amazonas e Rondônia, mas baixa atividade no Mato Grosso e Pará.

Estes dados, publicados pela NASA com base em imagens de satélite, podem ser consultados online.

Ninguém noticiou tampouco que o desmatamento permanece em nível médio baixo em comparação com dados de 1990 a 2008, e que tende a declinar à medida que a renda per capita aumenta – um fenômeno que tem sido amplamente observado no Brasil desde 2004.

A grande mídia também nada faz para eliminar a ambiguidade do termo “incêndios na Amazônia”. A floresta amazônica é compartilhada por nove países. O Brasil certamente possui a maior parte – 60,8% – mas muitos dos incêndios atuais queimavam na Guiana Francesa, na Bolívia e em outros lugares. Então, por que Bolsonaro seria o único culpado?

Além disso, a “Amazônia legal” no Brasil é muito maior do que a floresta amazônica. Na verdade, muitos incêndios estão se dando em regiões agrícolas ou no cerrado seco, que nada têm a ver com a biosfera tropical, observou Xico Graziano, engenheiro agrônomo brasileiro, em recente artigo. São regiões onde a agricultura está naturalmente presente. Estima-se, escreveu, que cerca de 95% da floresta tropical não estão sendo afetados pelo desmatamento.

Isso não significa que não tenha havido incêndios criminosos no Brasil, mas os fautores desses incêndios correm o risco de sofrerem pesadas sanções, e nem todos são “capitalistas malvados”. Embora o desmatamento ilegal ocorra devido a grandes indústrias, proprietários de terras locais que se beneficiaram da reforma agrária, proprietários privados e tribos indígenas também são responsáveis ​​pelo corte legal ou ilegal de árvores. Menos de 12% do desmatamento atinge áreas protegidas, observou Graziano.

Isso é ainda mais notável porque as leis brasileiras de preservação ambiental estão entre as mais severas do planeta. De acordo com as regiões onde possuem suas terras, os proprietários não podem explorar entre 20 e até 80% de suas propriedades. Essa “reserva legal” de 80% está precisamente na Amazônia, observa Denis Lerrer Rosenfield, mostrando que tal restrição aos direitos de propriedade pessoal seria inédita em qualquer outro lugar da Terra.

Quanto ao mito dos “20%” de oxigênio produzido pela floresta amazônica, ele simplesmente evaporou. Os oceanos são os maiores absorvedores de CO2 e produtores de oxigênio e, como tais, podem ser os “pulmões do planeta”. Florestas jovens e em crescimento também são excelentes produtores de oxigênio, ao contrário da velha floresta amazônica, que por definição não é mantida como, por exemplo, as florestas e bosques europeus. O desmatamento produz dióxido de carbono tanto quanto matéria em decomposição, como árvores velhas e moribundas; ao mesmo tempo, a fotossíntese libera oxigênio. Portanto, na floresta amazônica, o saldo bem pode ser negativo.

Alain PavéFoi o “Huffington Post” que publicou uma entrevista com Alain Pave [foto], acadêmico francês especializado em tudo o que é amazônico. Dizer que a floresta amazônica produz “20%” do oxigênio da Terra é “muito, muito otimista”, declarou ele à mídia. Isso representaria “no máximo” alguns pontos percentuais, mas mesmo isso é difícil de afirmar, dadas as muitas variáveis ​​que ignoramos.

“Apesar de um grande esforço desenvolvido por um longo período de tempo, os dados sobre a Amazônia ainda são fragmentários e imprecisos. A floresta não é apenas uma coleção de árvores, é um ecossistema com outras plantas, animais, microrganismos, irrigados por um sistema hidrológico, com múltiplas interações. Cuidado com mensagens simplistas e descrições detalhadas que são mais poéticas do que científicas”, declarou.

Mas para os que desejam manter o ‘grande susto climático’, qualquer coisa serve.

O coronel Gregory Allione, presidente da Federação Nacional de Bombeiros da França, declarou à rádio France Info: “Nunca vimos coisa igual em toda a história dos seres humanos neste planeta.” Ele exigiu uma “coordenação, antecipação e abordagem global por parte de todos os países” para reagir à situação no Brasil. Seria tudo isso um passo necessário para colocar o território soberano brasileiro sob controle internacional, mesmo da ONU?

Emmanuel Macron usou a mesma lógica quando afirmou que devemos “encontrar uma forma de boa governança”. “Precisamos envolver ONGs, povos indígenas muito mais do que nós. E o processo de desmatamento industrial deve ser interrompido”, acrescentou, no site do Élysée, palácio presidencial.

Tal “envolvimento dos povos indígenas” é o último grito da moda. Dele tratarão, em grande parte, os participantes do próximo Sínodo da Pan Amazônia. A Igreja Católica parece não estar sozinha em suas estranhas iniciativas; a comunidade internacionalista se encontra na mesma linha.

 

O conteúdo dos artigos é de inteira responsabilidade de seus autores.

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