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SÍNODO PAN-AMAZÔNICO: O CUMPRIMENTO DE UM ANTIGO PLANO

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“Com este Sínodo, uma jornada de 30 a 40 anos da Igreja latino-americana atinge a maturidade.”

Com estas palavras, o cardeal peruano Pedro Barreto, vice-presidente da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica), revela um aspecto fundamental do próximo Sínodo dos Bispos a ser realizado no próximo mês de outubro em Roma: é um plano de longa data das mais ousadas correntes da Teologia da Libertação que chega finalmente à sua materialização graças ao Papa Francisco.

Sobre o que estamos conversando?

José Carlos MariáteguiAs chamadas correntes “indigenistas” surgiram na América Latina no início do século XX, promovidas pelos comunistas. É o caso, por exemplo, do indigenismo promovido por José Carlos Mariátegui [foto], fundador do Partido Comunista Peruano. Essas correntes acreditavam que os índios eram verdadeiros “proletários”, isto é, uma classe a ser lançada como “sujeito histórico” para travar a luta de classes contra a burguesia. “O movimento se espalhou rapidamente, estimulado primeiramente pela Revolução Mexicana (1910) e depois pela Revolução Russa (1917)”, comenta o Prof. Eugenio Chang-Rodríguez, da Universidade da Cidade de Nova York.

O Komintern monitorava de perto os acontecimentos e instigava o desenvolvimento de tal indigenismo como uma ferramenta do expansionismo soviético. Por fim, o Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia Soviética de Ciências assumiu a tarefa. Esse tipo de indigenismo tratava principalmente de índios dos Andes, negligenciando quase completamente os da Amazônia.

A partir da década de 1960, também a chamada Teologia da Libertação começou a lidar com os índios andinos a partir de uma perspectiva estritamente marxista, isto é, como uma “classe oprimida” necessitada de “libertação” através da luta de classes para estabelecer o socialismo. Gustavo Gutiérrez [foto abaixo], o pai da teologia da libertação, escreve: “A busca por caminhos socialistas [da América Latina] está caminhando. Nesta questão, a figura solitária de José Carlos Mariátegui sempre indica um caminho”. Não surpreende que Gutiérrez dedique sua principal obra ao antropólogo e etnólogo peruano José María Arguedas, porta-estandarte da corrente indígena.

Pe Gustavo Gutiérrez

Pouco a pouco, contudo, os teólogos da libertação começaram a voltar suas atenções para a Amazônia, tentando não tanto envolver os nativos locais na luta de classes do velho estilo, mas ir além do marxismo, abraçando certas correntes pós-modernas que já beiravam o panteísmo. Tratava-se agora de propor a vida tribal como um ideal além do socialismo. A Teologia da Libertação Indígena e a Teologia da Libertação Ecológica começam a tomar forma. Essas teologias andaram de mãos dadas com as chamadas correntes estruturalistas, como a proposta por Claude Lévi-Strauss, e com as correntes ecológicas, especialmente aquelas ligadas à Internacional Socialista.

Este desenvolvimento foi acentuado com o colapso da União Soviética e, portanto, com o gradual abandono do marxismo como método de análise. Esse colapso não pegou os teólogos da libertação despreparados. Já em 1980, eles organizaram uma conferência mundial em Nova York para explorar novos horizontes. De fato, um “horizonte” então proposto era o indigenismo. Condenada pelo Vaticano, órfã de sua práxis histórica, a teologia da libertação reorganizou-se em torno desse novo eixo. “Muitas vezes temos a impressão de que a teologia da libertação está morta. Nada poderia ser mais falso!” – explicou o teólogo da libertação chileno Pablo Richard Guzmán em uma conferência em Madri em 1991. “Hoje é possível reconstruir a teologia da libertação e as comunidades eclesiais de base a partir de uma nova conjuntura histórica. […] Isso é o que estamos fazendo com os índios […] com a teologia indígena” – acrescentou.

Mons Proaño com índiosUm pioneiro neste empreendimento foi Dom Leonidas Proaño [foto] (1910-1988), bispo de Riobamba, Equador. Eis como ele explica seu objetivo: “O único caminho que resta aos povos da América Latina para mudar a assim chamada ordem estabelecida é uma autêntica revolução […] global, radical, rápida […] que tenha os índios como seus protagonistas”. Em 1977 ele organizou um congresso latino-americano de teólogos e ativistas da libertação, que o governo interrompeu por considerar subversivo. De fato, entre os documentos apreendidos não havia outro senão um “Plano para a Revolução Latino-Americana”. Não é coincidência que o Equador seja hoje a principal forja dessas doutrinas e sede de várias organizações indigenistas, como REPAM E CONAIE.

Outro pioneiro foi o Rev. Samuel Ruiz (1924-2011), bispo de San Cristóbal de las Casas, em Chiapas, México. Segundo este prelado, não cabe a ele evangelizar os índios, mas o contrário. Como os índios me converteram é o título de seu último livro. Em 1974, ele organizou o primeiro Congresso Indigenista, intitulado “Unamo-nos às nossas Forças de Libertação”. Não é coincidência que a revolução zapatista tenha eclodido em Chiapas em 1994, envolvendo muitos agentes pastorais ligados a essa diocese.

A Teologia Indigenista foi lançada internacionalmente durante uma conferência em Madri no ano 1991.

Em 1992, o quinto centenário do descobrimento da América, quando os católicos se preparavam para celebrar a epopeia ibérica que trouxe a fé de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Novo Mundo, a esquerda organizou uma enorme campanha para denegrir a evangelização da América.

A “esquerda católica” simplesmente não poderia deixar de participar. Prova disso foi o XI Congresso João XXIII de Teologia, realizado em 1991 no Colégio Calasanz, em Madri. Intitulado “Quinto Centenário: Memória e Libertação”, o congresso foi uma longa e insolente série de diatribes contra a obra missionária e civilizadora da Espanha. Palestrantes e participantes foram ao microfone para denunciar a “invasão espanhola”. Não sem certo masoquismo, houve vários pedidos de perdão pela “desapropriação” das culturas aborígenes. “Eu prefiro as tribos a um império invasor”, disse um palestrante.

O evento também serviu de plataforma para o lançamento da “Teologia Indigenista”. Apesar das repetidas menções de que os oradores “não se viam há meses”, cada um deles reuniu as características da teologia acima mencionada com a precisão de um trabalho científico.

A Teologia da Libertação Ecológica, ou Ecoteologia, também estava se formando em paralelo e em estreita conexão com esses desenvolvimentos. Ela não propõe outra coisa senão a Terra como um “sujeito teológico” necessitado de “libertação” da “opressão” do homem (desculpem a pletora de aspas, mas, neste caso, elas são obrigatórias…).

“Ao clamor dos pobres devemos acrescentar o grito da Terra”, anunciou Leonardo Boff. “Ecologia é o novo paradigma que vem do grito dos pobres e do grito da terra e traz o cosmocentrismo, ou seja, a centralidade da ecologia, que substitui o antropocentrismo, no cerne da reflexão teológica”, afirmou Emerson Sbardelotti Tavares em sua obra- relatório no Congresso Internacional de Teologia, realizado no Brasil em 2012.

Assim, essas correntes, até então confinadas à América Latina e a franjas extremas da teologia da libertação, estão agora transbordando no coração da Igreja com um extraordinário Sínodo dos Bispos na região Pan-Amazônica. O Cardeal Barretto tem razão quando diz: “Com este Sínodo, uma longa jornada de 30 a 40 anos atinge a maturidade”. O problema é saber se esse é um caminho de construção ou destruição.

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